O mundo anda muito estranho

daltomuitoestranho
Faz tempo que não posto textão por aqui. E não é falta do que escrever, não. É mais falta de iniciativa mesmo. (E eu sei que deveria escrever algo bonito e inspirador sobre o Ano Novo e toda essa energia que deveria me contagiar)
Sei lá, como diria minha avó, o mundo anda virado do avesso. É tanta coisa ruim. Tanta atitude desonesta. Tanto comportamento antiético, que bate um certo atordoamento. Parece que quando a coisa tá ruim demais é melhor esperar passar do que fomentar energia pesada. Semear discórdia e revolta nunca foi comigo. Ao mesmo tempo, essa inércia soa covardia. E tá aí outra atitude (ou falta de) que tenho dificuldade de engolir: covardia. A questão é que precisamos de muita cabeça analisada e parcimoniosa para separar o joio do trigo.
Quando “um silêncio com torcida para que tudo melhore” é transformado em covardia?
Até que ponto a gente consegue ficar calado sem que isso signifique apatia?
Talvez no ponto do nosso umbigo.
A gente se resigna com uma violência aqui, com outra negligência ali… Mas quando o calo aperta, quando a arma é apontada para a nossa cabeça, aí, meu irmão, a língua solta.
É assim com aqueles que fazem a tal delação premiada, não é?
Colocar os interesses pessoais acima dos coletivos (nas esferas pública e privada) não tem sido mais exceção. É a regra clara. Mesmo que isso coloque em risco a segurança e a vida de centenas de pessoas. E não me peça exemplos.
Em tudo, para quase tudo, há dois pesos e duas medidas.
Vejo com espanto desonestos “caírem pra cima” e certinhos que ficam até sem prêmio de consolação… Vejo gente dita de “bem” (a maioria de “bens”) falar de ética elástica e regras transitórias…  Vejo pessoas cheias de intenções válidas e lícitas, produzindo resultados que sempre parecem injustos ou amorais.
Sei lá, tudo anda muito estranho, como diria a música do Dalto, lançada em 1982, que cantada pelo Feza é engraçada e pelo Nando Reis é fofa.  Eureka!
O segredo da sobrevivência e da manutenção do bom humor nessa nova configuração social, saturada de tanta coisa que provoca tédio e vazio, deve estar no reconhecimento de que dependendo do olhar, de quem segura o microfone ou de quem conduz o barco, as coisas também podem ser engraçadas – ou fofas!
Em outras palavras: precisamos aprender a fazer girar a energia da revolta, movimentando aquilo que está parado no peito com a intenção de transformar tudo em capacidade de reação pelo bem e para o bem – da gente e da coletividade.

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