Recomeço

2 de agosto de 2016 = 19 = 1 = recomeço!

Eram tempos de crise. Especialmente de identidade. Já não dava mais para tentar convencê-la a não partir. Era urgente achar um lugar de acolhimento e de identificação. Especialmente de identificação. Já estávamos em 2016 e nada (ou quase nada) havia mudado. A seu redor: egoismo, prepotência e sede por poder; ganância e egos exacerbados. No extremo, entreguismo, comodismo e apatia; falta absoluta de ambição.

Eram tempos cheios de um não pertencer. Você está mas em instantes não está mais. Tempos de on/off. E nada era mais dramático do que ter todas essas certezas e nenhuma ideia de saída.

Finalmente ela conseguia iniciar sua vida às seis da manhã, ainda que forçada por um corte na barriga. Aliás, aquele corte seria o marco inicial para a vida que sempre esteve na antessala. Costurado e latente, ele daria o tom. Seria a voz. Abriria os caminhos interrompidos pelo medo, pela dor, pela insegurança. Sim, um corte. O corte. Aquilo seria o despencar do penhasco. Seria o gozo. O amargo que mobiliza e faz agir. Agora ela não seria mais sozinha. Seria ela e esse corte, que diz tanto a um único ser. Seria ela e essa dor que liberta e traz sonhos à baila.

/…/

Agosto começava naquele conturbado 2016. Eu estava finalmente acordada desde seis da manhã. Algo de revelador morava ali. Os circulares passavam por minha rua, anunciando que a vida estava pulsando lá fora. Um novo mês havia começado e, com ele, a esperança. E com ele, a redenção. Eu estava certa de que deveria recomeçar: redefinir propósitos, metas, rumos. Poderia começar baixando o APP de um diário. Assim, poderia registrar tudo o que planejasse. Era isso. O que eu escrevesse, aconteceria. Era urgente, então, escrever. Depois, alguém, haveria de gostar daquilo. E se identificar. Alguém passaria olhos e coração nas linhas que eu redigisse. Alguém tocaria com dedos suaves as linhas que eu tecesse. Vírgula a vírgula. Ponto a ponto.
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Era junho de 1910, Domingos era apenas um recém-nascido grande e feliz. Um bebê que nem imaginava que no ano seguinte, em junho de 1911, nasceria a mulher que lhe daria 12 filhos. E que o caçula chegaria em junho de 1955 e lá pelos 18 se envolveria com a mulher nascida em outubro de 1957. Com ela, teria sete filhos. Um deles, nasceria em agosto de 1974. E é ele, o Agostino, morto no mesmo ano, quem voltaria em espírito para avivar a existência mórbida daquela moça que marcava 40 em 2016.
Um numerólogo somaria tudo isso e nos daria um veredito. Talvez ele falasse que esses anos todos dá uma soma reduzida em 8 e que esse é o número do infinito. E que o infinito simboliza tudo: o começo, o meio e o fim. Simboliza a vida e a morte. E o eterno recomeçar. Ok. Ficarei com essa parte: recomeçar.

É só virar a página.

/…/

Junho de 2018, Vale Europeu. (soma 17 = 8 = infinito. Olha o recomeço de novo…)

A colheita do meio do ano estava belíssima. Vendemos quase tudo.
O artesanato também estava saindo feito água nas feiras de domingo.

E a crise…

Bem, a crise continua fazendo vítimas nas ruas e sendo explicada nos livros de história.

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