Resposta a uma punk – sobre entretenimento, Lobão, Chico e Diogo

ou: Qual é o pente que te penteia

Bom, vamos lá dona punk. Sobre essa discussão: Lobão, Chico e MPB, contemporaneidade e pessoas de verdade (as de convicção)… e sua declaração:

Em primeiro lugar quero deixar claro que não tenho a mínima simpatia pelo Lobão, mas na entrevista (publicada em 21 de Dezembro de 2010, no Le Monde Diplomatique Brasil) ele falou tudo aquilo que penso e não conseguia expor. Tinha medo de parecer pretensiosa ou burra demais para não entender a beleza eterna da música brasileira. Mas já que tive a felicidade continuo agora mais convicta que tem algo errado na nossa cultura musical. Será o conservadorismo cultural que ele cita na entrevista? Eu diria ausência de críticas o que impede qualquer evolução nesse sentido de se fazer algo novo no Brasil. Segundo. Por que me lembrei de vc? Em algum texto seu li algo sobre Diogo Nogueira e Chico Buarque como os grandes caras na sua vida. Diogo Nogueira conheço pouquíssimo, quase nada, mas percebi que é uma continuação daquilo que já foi. Posso estar estupidamente enganada, mas o Chico é velho conhecido e admirável no seu tempo que também acredito já ter sido. Onde quero chegar. Na dificuldade que as pessoas têm – tanto as que fazem música como as  que ouvem – de serem contemporâneas de si mesmas. Sempre buscando no passado. O passado passou.

Bem, eu mudei um pouco sim. Mas a nossa essência, creio, é a mesma. E minhas convicções nasceram e morreram várias vezes ao longo desses anos. Talvez isso explique o fato de músicas antigas ainda atingirem minha alma. Mas acho que isso acontece por uma outra razão ainda: a aplicação do sentido. Quantas vezes eu me peguei justamente dizendo: – Nossa, essa música é tão atual, embora escrita em 1950! Quando as letras falam de fome, falam de humilhação do pobre, ou quando falam mesmo de amor… Elas falam do que vivemos um dia num determinado regime político, mas falam de hoje – se aplicarmos o sentido contemporâneo daquilo que vivemos. Aliás, falar em sentido contemporâneo é estranho, porque nesses tempos pós-tudo nada parece fazer muito sentido.

Entendo e admito que musicalmente – e isso poderia também ser aplicado à literatura e a outras expressões artísticas – não temos muita genética própria. Tudo parece ter sido herdado de “nações mais evoluídas” ou que simplesmente tiveram liberdade antes para começar tudo. Mas, Fê, é tudo tão subjetivo… A arte, e em especial a música, não é feita somente para explicar um tempo-espaço, mas principalmente para nos provocar sentimentos. Talvez seja disso que você fale… Que falta incentivo para sentimentos mais revoltos… Talvez. Uma música que estimule derramamento de sangue (como o punk, não?). Mas, veja, eu não posso dizer que tudo o que vai na contramão disso não seja arte. Eu gosto, sim, de música popular brasileira. Gosto do saudosismo e gosto de algumas releituras. Mas é meu gosto pessoal. Agora, veja, se nós fossemos produzir algo atual, de hoje, de agora… que caminho tomaríamos? O que reflete a sociedade de hoje?

Eu vejo movimentos ainda muito estanques. Vejo mundos muito diferentes convivendo lado a lado. Não é porque o governo criou o Acessa São Paulo, por exemplo, que a população sabe usar o facebook. E para quê usar facebook? Se aqui falamos do universo web 4.0, no jardim Pagani a dona Tereza ainda tem dificuldade para sacar sua aposentadoria porque não se dá bem com aquele visor do caixa eletrônico. Estou falando somente dos contrastes digitais… Mas a fome continua presente na vida de tantas e tantas pessoas e outras compram canetas de 200 mil dólares. Enfim, você conhece esses contrastes mais do que eu.
Bom, a arte tem obrigação de retratar essa contemporaneidade? Mas isso não é antigo? O que é novo e o que é velho?

Culturalmente, de fato, todos emburrecemos. Nos bares, filosofia de botequim é o que não falta. Nas faculdades demonstrações claras de falta de leitura. Alguns grupinhos realmente repetem discursos vazios e retrógrados. E o Tiririca é deputado. E daí? Qual é o pente que te penteia?

Se considerarmos as posturas e convicções demonstradas até aqui, Chico, Caetano e nós duas somos todos fracassados. Pensamos um dia que mudaríamos o mundo, criticamos tantas e tantas coisas, mas nos afundamos num comodismo tão deles quanto nosso. Ser contemporânea de mim – para mim – é estar antenada aos movimentos sociais, às gírias atuais, aos hábitos e costumes das comunidades onde me proponho a viver, à política que rodeia meu mundo e o mundo todo, mas vendo, ouvindo e falando aquilo que tem significado para mim. Olhando para trás percebo o meu passado, sinto o presente e desenho o tal futuro. A ponte entre esses tempos é feita justamente por historiadores, jornalistas, escritores, compositores…

É verdade que tudo parece muito óbvio e muito conhecido. Talvez falte mesmo criatividade. Pense nas músicas infantis, por exemplo. Contam o quê? Geralmente elas buscam educar. No meu tempo cantava-se ilariê… Hoje, a Yasmin ouve “a gente tem que levantar… dar uma espriguiçada, dar uma chacoalhada… tomar café iéié…”  Será que é uma letra que estimula a obediência do trabalhador? Sei lá, acho muita perseguição, sabe. Muita neura.
O saudosismo, concordo, pode deixar um ranço e impedir a evolução. Mas pode. Depende da gente.

Uma explicação particular: O Diogo Nogueira e o Chico não são os homens da minha vida. Eles são só lindos, sensuais e talentosos. kkk. O Diogo, por exemplo, representa o samba. É novo? Claro que não… Ele deu continuidade ao trabalho do pai dele, o João Nogueira. É plágio? Não! O menino cresceu no meio da velha guarda… Tudo o que ele faz é mais do mesmo. E é ótimo. Voz linda. Algumas letras bobas, mas que têm a função do entretenimento. Sim, nós precisamos de entretenimento… Sexo, drogas e rock’roll!
Na minha última viagem ao litoral norte paulista, eu ouvi uma coisa engraçada e super contemporânea: “Vô não, quero não, minha mulher não deixa não!” Um hit de sucesso no verão de 2011. Também ouvi muito Bob Marley no meio de gente de 18, 20, 22 anos… De velho lá, só meus ouvidos cansados aos quase 35 anos. Tocava muito outra música hit: “Bebe negão, bebe negão… Esse solo vai para o gerente do meu banco! Hoje acordei para beber água, meu bem… Hoje eu acordei para biritar…”. É atual. Vai dizer que não? Isso diverte esses homens contemporâneos que trabalham para acumular dinheiro e comprar casa, carro e uma chacarazinha para curtir o fim de semana. Gente que faz uma doação ou outra uma vez ao ano e que se diz revoltado com o governo. E daí? Qual é o pente que te penteia?

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Branca e cheia de cores

Hoje compartilho com você a imagem que ainda está na minha cabeça. Na verdade, uma delas. A melhor cena certamente não foi registrada. A melhor está mesmo grudada na íris, colada na memória. Ainda devo escrever sobre esse lugar que me trouxe dias de reflexão, aprendizado e autoconhecimento.
Mas agora é hora de assimilar. bjos!

O pecado do jornalista


Há semanas não escreve com a alma. Apenas digita com dedos afoitos e pensantes. O resultado disso tem sido similar a um súbito mal-estar. Ela faz jorrar a informação que chega enlatada e depois vivencia um vazio inquietante.
Escrever, diz, é mais. É alinhavar um tecido uniforme, confortável.
Dizem que o jornalista não deve fazer amor com seu texto. Mais um motivo para não se considerar esse jornalista. Não com esse rótulo pintado.
Sim, ela gosta de acariciar o texto; de lamber suas curvas; de subir e descer por suas linhas… Gosta de passar bons minutos sobre uma só frase… Roçando seu significado… E depois faz questão de sentir as palavras, uma a uma, sem pressa. É. Ela faz amor com o texto e ponto. Será pecado?

Carta a quem possa interessar ou Caco e Lari: as aventuras do sapinho poeta

crédito imagem: http://namb-ualg.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

(capítulo final)
Hoje, falo com você, sapo travestido de gentleman. Você que abusa da boa vontade dos outros, você que se faz de vítima mas é a pessoa mais sórdida e dissimulada de que já tive notícias. Você que definitivamente não tem maturidade e inteligência para reconhecer um amigo. E você sabe que não falo isso por dor de cotovelo. Você sabe que nossa historinha já estava nas linhas finais, mais morna que água de banho de bebê… Ambos sabíamos disso. Mas quisemos por força maior escrever mais umas linhazinhas. O duro é que para isso não precisava envolver tanta gente, quebrar minha cama, inflacionar minhas contas de água e de energia elétrica e ainda abusar da boa vontade de minha família… E não adianta falar das tais contribuições (um peru, uma bolsa e alguns trocados gastos em supermercado) porque amizade como a que encontrou por aqui, como diz a publicidade de cartão de crédito, não tem mesmo preço!
Bancar de bom moço, tudo bem. É seu gênero pouco criativo – e até covarde. Mas, peralá… Roubar o ar do meu quarto, usar até minha Internet para retomar contatos com pessoas de quem você dizia não querer ouvir nem o nome? Fazer ceninhas de ciúmes quando já estava ciscando em outro terreiro?! Deixar-nos de vigias em seu apê quando já estava fazendo falsas promessas a moças românticas? Faz-me rir, rapaz. Vamos combinar que faltou-lhe hombridade, afinal por diversas vezes avisei que para ser meu amigo era preciso ser transparente. Não cobrei nem fidelidade, mas sinceridade tão-somente. Já tinha dito também que meus parâmetros de homem e de amigo são bem altos… Quase impossível de alcançar.
E desculpe-me pela sinceridade, mas és mesmo um sapo. Afinal, um gentleman não peida em público – nem na cama da amante -, não arrota a todo momento, não sua feito animal ou ronca feito uma britadeira. Faça-me um favor: tente ser feliz bem longe de mim e pare de me ligar para pedir favores e conselhos. Chega, baby! Virei a página, a tempo! Boa sorte!